Os profetas

Uma análise das práticas dos profetas no Antigo Testamento, mas que tem significado para os dias atuais.

Postado por Thalles Ricardo

A maioria dos seres humanos creem em Deus, uns mais, outros menos. E essa maioria faz o que pode para manter Deus à margem de suas vidas. Se isso falhar, tenta-se moldar Deus para que ele se adapte às conveniências. Os profetas insistem em que Deus é o centro soberano: ele não está em algum canto, esperando o aceno ou o chamado. E os profetas insistem em que o tratemos exatamente como ele se revela, não como se imagina que ele seja.

Esses homens e mulheres tentavam despertar o povo para a realidade da presença soberana de Deus no cotidiano. Eles esbravejavam, choravam, reprovavam, confortavam. Usavam as palavras com autoridade e criatividade, não importava se de forma áspera ou sutil.

Não eram figuras populares. Eles nunca atingiam o status de celebridade e destoavam, decididamente, do temperamento e das tendências das pessoas com quem conviviam. E os séculos não os tornaram mais brandos. É compreensível que seja difícil chegarmos a um acordo com eles. Eles não se importam muito com nossos sentimentos. Sua “capacidade de relacionamento”, como se diz, é bem limitada. Gostamos de líderes especialmente os religiosos, que entendam nossos problemas (“que caminhem conosco”, é a expressão para isso), líderes com um toque de fascínio, que sejam fotogênicos nas peças publicitárias e na televisão.

A realidade nua e crua é que os profetas não se encaixam no nosso estilo de vida. Diante de um povo que está acostumado a “fazer Deus se encaixar na sua vida”, ou como gostamos de dizer, de “dar lugar para Deus”, os profetas se mostram inflexíveis. O Deus anunciado pelos profetas é grande demais para caber na nossa vida. Se quisermos algo de Deus, nós é que temos de nos encaixar nele.

Os profetas não são “razoáveis”, não se acomodam ao que faz sentido para nós. Eles não negociam, não atuam de forma diplomática, por isso não aceitam nenhum palpite nosso na conversa. O que eles fazem é nos arrastar, sem rodeios, para uma realidade grande demais para ser compreendida por nossas explicações ou expectativas. Eles nos lançam no mistério imenso e surpreendente.

Suas palavras e visões penetram as ilusões em que nos enclausuramos para fugir da realidade. Nós, seres humanos, temos uma enorme capacidade para a negação e o autoengano. Tornamo-nos incapazes de lidar com as consequências do pecado, de encarar o castigo e disso, a entrar na vida oferecida por Deus, a vida que a esperança em Deus abre para nós.

Eles não tentam explicar Deus. Eles nos sacodem até que deixemos cair os antigos hábitos de pequenez da mente e os conceitos banais acerca de Deus e despertemos para a admiração, a obediência e a adoração. Se insistirmos em entendê-los antes de encarná-los, jamais chegaremos lá.
Um dos maus hábitos que adquirimos desde cedo na vida é separar as coisas e pessoas em duas categorias: secular e sagrado. Pressupomos que secular é o que o está mais ou menos sob nossa responsabilidade: trabalho, tempo, lazer, governo, relações sociais. O sagrado está sob a responsabilidade de Deus: a adoração e a Bíblia, o céu e o inferno, a igreja e as orações. Assim, projetamos um lugar sagrado para Deus designado, dizemos para honrá-lo, mas na verdade é uma tentativa de manter Deus no lugar dele, enquanto ficamos livres para dar a palavra final sobre todos o restante que acontece na vida.

Os profetas não aceitam isso. Eles argumentam que tudo, absolutamente tudo, acontece em solo sagrado. Deus tem algo a dizer sobre todos os aspectos da nossa vida. Os profetas mostram que é impossível fugir de Deus ou pegar atalhos para passar por ele. Os profetas insistem em que aceitemos a atuação de Deus em todos os aspectos da vida. Para os profetas, Deus é mais real que o seu vizinho mais próximo.

Referência: Bíblia The Message

Comentários

  1. Gostei muito, me levou a pensar sobre esse assunto. Parabéns!

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  2. Um dos maus hábitos que adquirimos desde cedo na vida é separar as coisas e pessoas em duas categorias: secular e sagrado.
    A uma linha de pensamento que ainda e vivenciada por vários jovens, onde Deus e o dia a dia não caminha juntos.
    Levando muitos jovens a está preso a regras de uma denominação, esquecendo do "Amor de Deus e Sua Presença."
    Gostei muito 😊😊😊

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